Levantamento de necessidades

Nos meus tempos de estudante no programa de mestrado na San Diego State University, a gente gramava bastante para preparar e aplicar instrumentos de levantamento de necessidades. Uma prática sadia e necessária, embora exigente. No processo, aprendi que é indequado falar em necessidades educacionais.

Educação, no âmbito do planejamento sistemático da instrução (ISD), não é necessidade, é solução. Necessidades se definem como diferenças entre determinada situação e um estado final desejável. Exemplo:

  • Frequentadores das nossas praias deixam uma imundície sobre a areia [uma situação constatada pelo analista].
  • Frequentadores de nossas praias cuidam do lixo que produzem no local como quer qualquer pessoa decente [estado final desejável].

Será que educação é uma solução no caso da sujeira provocada por banhistas em nosso litoral? Educadores ingênuos achariam que sim. Um bom tecnólogo educacional não chegaria necessariamente a tal conclusão. Talvez dissessse a quem o contratou que, em vez de educação, a solução mais adequada seria punição (multa pesada para os sujões). E por que um analista bem treinado em ISD chegaria a tal conclusão? Fácil, já há informação suficiente sobre cuidados que os banhistas devem tomar para não emporcalhar as praias. Mais informação seria dinheiro gasto sem esperança de bons resultados. O povo já está “educado”. A hora é de punir os infratores.

O exemplo que imaginei para explicar detalhes do que aprendi no começo dos anos 80 parece simplório. Não é. Há muitos educadores que se entusiasmam por soluções educacionais, mostrando certo traço de messianismo pedagógico [do tipo: a educação tudo pode]. Isso é ruim para a educação. Há sempre quem diga que é preciso mais educação. Mas nem sempre esse é o caso. Algumas vezes as soluções são outras: punição, melhores salários, compensaçõles financeiras, comida na mesa, tratamento igualitário na justiça etc. etc.

Acho que o dito já basta para situar levantamento de necessidades no planejamento educacional. Alías, eu nem tinha intenção de entrar no mérito da questão. O que eu queria de início era informar que um dos livros clássicos sobre a matéria, escrito por minha amiga da San Diego State University, Allison Rosset, está disponível quase que integralmente no Googlebooks. Intreressados em dar uma olhadinha no material podem clicar sobre a imagem abaixo.

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