Taxonomia de Bloom

Ando recuperando textos que escrevi para minhas aulas ou para fins de publicação. Muitos desses textos foram usados logo depois de escritos e esquecidos. Aqui vai um exemplo, um subsídio que elaborei para alunos que não estavam conseguindo entender bem a famosa taxonomia de Bloom. Acho que o material pode ter ainda alguma serventia.

Taxonomia de Bloom


Quando falamos de uma área de conhecimento, estamos nos referindo de um conjunto de saberes que inclui coisas muito diferentes. Vejamos um exemplo. Se o assunto for História do Brasil espera-se que os alunos sejam capazes de guardar os nomes de personagens, memorizar determinadas datas, analisar determinados fatos, estabelecer relações entre eventos passados e nossa situação presente etc. Cada uma dessas capacidades exige diferentes habilidades cognitivas e são mais ou menos complexas. Em Geografia, Contabilidade ou Língua Portuguesa teremos o mesmo desafio: será preciso estabelecer que habilidades cognitivas são importantes no trato com os conteúdos da área de estudo.

Embora seja claro que o estudo de qualquer assunto exige diversos modos de lidar com o saber, não há necessariamente clareza de quais são as competências intelectuais que podem bem definir expectativas quanto a domínio de conhecimentos. Por essa razão, muitos pesquisadores tentam criar sistemas de classificação (taxonomias) para ajudar os educadores a bem definirem o que esperam de seus alunos. O mais importante estudo sobre essa questão foi realizado por um grupo de cientistas nos anos de 1950 . Esse grupo foi constituído por especialistas (http://fcis.oise.utoronto.ca/~daniel_schugurensky/assignment1/1965bloom.html) que, de comum acordo, foram criando e definindo as categorias de saber que poderiam ser aplicadas em qualquer campo de estudos no mundo da educação. O trabalho, coordenado por Benjamin Bloom (http://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Bloom) , professor da Universidade de Chicago, durou vários anos e foi divulgado em obras publicadas a partir de 1956. A taxonomia de Bloom foi traduzida para diversos idiomas, inclusive o português (cf.: Bloom et alii. Taxionomia de Objetivos Educacionais. Porto Alegre: Editora Globo,  1972). Provavelmente, esse trabalho coletivo é a abordagem mais completa e clara das competências intelectuais que podem ser desenvolvidas por meio da educação. Outras classificações mais recentes como as de Gagné (http://classweb.gmu.edu/ndabbagh/Resources/Resources2/gagnetax.htm)  e de Merrill (http://coe.sdsu.edu/edtec544/Modules/8-CDT_ClassifyingOutcomes/c/connect.htm)  não têm a garantia de uma pesquisa  mais demorada e completa como a realizada pelo grupo coordenado pelo professor da Universidade de Chicago.

Se quisermos atualizar nossa conversa sobre a taxonomia de Bloom, podemos dizer que ela é uma excelente ferramenta para podermos entender as atuais propostas de aprendizagem voltada para competências. As categorias criadas pelo grupo que ele coordenou ainda são definições muito úteis para que possamos ter um entendimento comum em discussões sobre competências.

Se você fizer um levantamento sobre a taxonomia de Bloom na internet, verá que o assunto aparece em mais de cento e setenta mil sites. Em português esse número é bem mais limitado, andando pela casa das cinco centenas. Parece que a menção mais completa sobre a classificação em tela é a que aparece no site http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=16&texto=967).

Há muitos quadros resumos da classificação de Bloom. Reproduzimos aqui um deles, originariamente encontrado em  http://www.coun.uvic.ca/learn/program/hndouts/bloom.html .

Benjamin Bloom criou uma taxonomia [classificação de saberes] para categorizar níveis de abstração de questões que geralmente são feitas em educação. A taxonomia oferece uma estrutura útil para classificar questões de provas dentro de determinados níveis [assim como para determinar competências desejáveis em educação]. Se conseguirmos determinar os níveis das questões que queremos que os alunos sejam capazes de responder, ficará mais fácil escolher as estratégias apropriadas de ensino-aprendizagem.Nos quadros abaixo, apresentam-se as categorias criadas pelo grupo de estudos presidido por Bloom e especificam-se maneiras de descrever os saberes que se deseja que os alunos desenvolvam. Esse material é uma tradução e adaptação de resumo criado pela Universidade de Victoria.

Competência

Habilidade a ser demonstrada

Conhecimento
  • observação  e recordação de informação
  • conhecimento de datas, eventos,  lugares
  • conhecimento das idéias principais
  • domínio da matéria

  • Dicas sobre questões:


liste, defina, diga, descreva, identifique, mostre, rotule, colecione, examine, tabule, cite, nomeie, quem, quando, onde, etc.

Compreensão
  • entendimento de informação
  • apreensão de significado
  • tradução de conhecimento para novo contexto
  • interpretação de fatos, comparação, contraste
  • ordenação, agrupamento, inferência de causas
  • previsão de conseqüências

  • Dicas:


resuma, descreva, interprete, contraste, preveja, associe, distinga, faça uma estimativa, mostre diferenças, discuta, amplie

Aplicação
  • uso de informação
  • uso de métodos, conceitos, teorias em novas situações
  • solução de problemas usando conhecimentos ou habilidades requeridos

  • Dicas:


aplique, demonstre, calcule, complete, ilustre, mostre, resolva, examine, modifique, relacione, mude, classifique, experimente, descubra

Análise
  • visão de padrões
  • organização de  partes
  • descoberta de significados ocultos
  • identificação de componentes
  • Dicas:


analise, separe, ordene, explique, faça conexões , classifique, organize, divida, compare, selecione, infira

Síntese
  • uso de velhas idéias para criar novas idéias
  • generalização a partir fatos dados
  • articulação de conhecimentos de diversas áreas
  • previsão, elaboração de conclusões

  • Dicas:


combine, integre, modifique, re-arrume, substitua, planeje, crie, planeje, invente, componha, formule, prepare, generalize, reescreva

Avaliação
  • comparação e distinção entre  idéias
  • julgamento do valor de teorias, apresentações
  • escolhas baseadas em argumentos racionalmente fundamentados
  • verificação de valor da evidência
  • reconhecimento de subjetividade

  • Dicas


avalie, decida, organize de acordo com algum critério, dê nota, teste, meça, recomende, convença, selecione, julgue, explique, apóie,, conclua, compare, resuma

* Adaptado de: Bloom, B.S. (Ed.) (1956) Taxonomy of educational objectives: The classification of educational goals: Handbook I, cognitive domain. New York ; Toronto: Longmans, Green.

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16 Respostas to “Taxonomia de Bloom”

  1. cassia Says:

    maravilhoso.

  2. Paulo Oliveira Says:

    Parabéns. Foi de grande valia
    Um abraço

  3. josi Says:

    gostaria de uma explicaçao sobre a taxonomia de uma forma pratica e direcionada para alunos das series iniciais… agradeço

    • jarbas Says:

      Cara Josi,

      Não consigo transformar a taxonomia de Bloom numa cartilha. Sua utilização mais comum acorre na área de avaliação. Para tanto, o caminlho é estudar os livros do próprio Bloom publicados pela Editora Globo.

      Outra possivel utilização da taxonomia do professor da Universidde de Chigado está vinculadaa classificação de conhceimentos para a tomada de decissões quanto a metodologia de ensino. Isso exige um aprendizado de como formular objetivos educacionais acompanhados por indicação de qual ou quais categorias de saber, segundo Bloom, eles exigem. Estudo dos livros de Bloom é essencial também neste caso.

      Abraço,

      Jarbas

  4. josi Says:

    gstaria de aplicar de forma pratica p alunos das series iniciais a taxonomia. agradeço

  5. Marilda F. Ghiraldi Says:

    Tenho aplicado a Taxonomia de Bloom. Estou satisfeita com as orientções e resultados.

  6. carolina Says:

    parabens, está aqui um otimo trabalho! pra mim foi de grande valia e um bom pontapé para iniciar a leitura mesmo do livro dele.

  7. Elizabeth Santos Says:

    de gde valia sua síntese. estou tentando fazer uma tese de doutorado, em Medicina, área Cirurgia Geral propondo um curso baseado em competencias. Bloom é fundamental!!! Na minha área, pouca gente entende disso.
    Sucesso

  8. Simone B. Meireles Says:

    Excelente! Veio a calhar com minhas necessides no momento. Estou fazendo um trabalho ligado à instituição que trabalho e precisava muito de um entendimento mais claro sobre o tema. Muito obrigada!

  9. sheila Schechtman Says:

    O que eu achei legal foi o fato da caracterização dos objetivos com as competências e habilidades. Parabéns.
    Sheila

  10. Angelica Pinheiro Says:

    Objetivo e claro. Muito Bom.

  11. Estela Gonçalves (@EstelaAraujo1) Says:

    Achei muito interessante…..

  12. leonardo Says:

    Olá,

    Gostaria de parabenizar pelo trabalho, mas também dizer que esta taxonomia está ultrapassada. Em 2001, Krathwohl revisou a taxonomia e ela teve muitas alterações.

    Att,

  13. Regina Tagava Says:

    Professor Jarbas,

    Parabéns pelo belíssimo trabalho. Li, reli e somente com sua produção compreendi melhor o que Bloom quis dizer e qual foi a real intenção dele. Obrigada mais uma vez, pois sempre aprendo muito com você.

    Abraços.
    Regina Fujiko Tagava

  14. Michel Goulart (@profmichel) Says:

    Jarbas, estou pesquisando sobre a Taxonomia de Bloom e sua aplicação. Seu texto vem bem a calhar, didático e objetivo. Um grande abraço, mestre!

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