Escrevi, anos atrás, um texto para provocar reflexões num evento que deveria associar tecnologia e imaginação. Deveria… Na execução, os organizadores acabaram apelando para antigas fórmulas. Além do texto de fundamentação, respondi a algumas perguntas feitas pela assessoria de imprensa do evento. Infelizmente, para os jornalistas do pedaço, não dei respostas que poderiam virar manchetes. Nem fiz comentários na direção do deslumbramento tecnológico promovido por fabricantes e assumido por gente de imprensa como “tendências”. Segue aqui parte de minha resposta sobre como estimular a imaginação pedagógica.
A engenhosidade dos novos equipamentos nos atrai enquanto dura a novidade. Depois, viram lugar comum. Não provocam mais deslumbramentos. Ingressam no nosso dia-a-dia. Assim, as novidades tecnológicas são efêmeras. Por isso procuro mostrar que tais inovações podem ter efeitos muito pequenos em educação se não percebermos onde podem estar as conseqüências permanentes das novas tecnologias da comunicação em nossas vidas. Novos meios de comunicação e informação abrem janelas para modos originais de informar, aprender, elaborar saberes. Mas isso não é óbvio. No geral, continuamos a organizar as informações como antigamente nos novos meios. Qual o motivo? Aproveitar as janelas que se abrem não é coisa banal. É um desafio que exige a criação de formas originais apresentar as representações do saber humano. Mas nós continuamos a contar do mesmo jeito as velhas histórias nos novos meios. O cientista Donald Norman observa que um uso original das novas mídias só vai acontecer quando artistas inventarem modos completamente novos e surpreendentes de fazer comunicação.
Não acredito que educadores presos às fórmulas pedagógicas comuns sejam capazes de criar formas de comunicação originais. Anos atrás, meu amigo Bernie Dodge levou seus alunos de mestrado em Tecnologia Educacional para um seminário de imersão em redação de ficção científica. Intrigado, disse a ele que achava aquilo muito estranho. Com alguma paciência, ele me explicou que escrever ficção científica poderia ser um modo de destravar o convencionalismo dos educadores. Não era uma solução. Mas uma forma de fazer com que educadores se livrassem das fôrmas da didática. Isso significa livrar-se de chavões, de uma linguagem pesada e pretensiosa, de messianismos, de formatos didáticos etc. E o resultado pode ser algo aparentemente não educativo. Mas os formatos não educativos, se atraentes, podem educar mais que manuais feitos com boa didática mas nenhuma inspiração…
Taí a amostra. Em posts futuros coloco mais alguns trechos desta minha entrevista que acabou não indo para os jornais.