A escola que temos parece, cada vez mais, um espaço do desaprender. Preocupados, tentamos novos caminhos. Mas nossas tentativas ainda são muito tímidas e modestas. Falamos muito. Mudamos pouco. E a situação precisa de um choque, de alterações radicais. Fora dos muros escolares as coisas vão acontecendo mais rapidamente. As alterações são profundas. Com isso, a escola fica mais atrasada ainda.
Faz algum tempo que venho insistindo na necessidade de reconsiderar os espaços escolares. Se eles continuarem com sempre foram, introdução de novos meios, de novas formas de comunicação, mudará muito pouco, quase nada. A escola comeniana (espelhada no moinho) é uma máquina poderosa de moer novidades. Já moeu o cinema e a TV. Está moendo o computador.
Qual a mudança necessária? Acho que não sabemos muito bem. Há alguns pensadores que indicam rumos interessantes. Penso em Gardner, em seu The Disciplined Mind. Penso em Neil Postman, em seu Tecnopólio. Penso em Freire, em Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Esperança. Penso em Mike Young, em suas iniciativas, particularmente na School for Social Entrepeneurs. E penso em Francesco Tonucci, em toda a sua obra inspirada no olhar da criança.
Este post foi planejado inicialmente apenas para indicar uma entrevista de Tonucci a um jornal argentino. Quando comecei a escrever, as coisas seguiram outro rumo. Acabei dando destaque ao desafio da criação de uma escola completamente diferente do modelo fabril que continua a dominar o cenário da educação. Tonucci sempre se colocou contra tal modelo. Além disso, ao longo de sua vida, defendeu muitas idéias originais sobre a escola. Na entrevista que estou indicando, ele ressalta o papel de fontes de conteúdo desempenhado pelos novos meios de comunicação. Afirma que a escola não tem condições de concorrer com as mídias eletrônicas e sugere alguns rumos interessantes para a educação. Numa de suas respostas, o educador italiano enfatiza a necessidade de mudar substancialmente o espaço físico da escola, dizendo que o local precisa ser bonito, agradável, com muito verde. Não vou resumir aqui as propostas de Tonucci. Interessados poderão vê-la no endereço que destaco a seguir.
Junho 12, 2009 às 11:15 pm |
Oi professor
As idéias do Tonucci são polêmicas, principalmente quando diz que precisamos das crianças para salvar nossas escolas (entendi direito?).
Meus filhos estudaram em uma escola parecida com aquela que ele prega. Lembro-me da coordenadora falando na primeira reunião em que fui, que ali pretendiam incentivar as crianças a serem indagadoras e questionadoras. Durante o tempo em que meus filhos lá estudaram, além de fazer amigos também gostavam de aprender. Havia interesse genuíno, e muitas vezes tivemos que participar de suas experiências científicas, buscando girinos em um parque municipal ou trazendo um pintinho para ciscar na sala do meu apartamento…
Mas não era uma escola fabril, não enchia “sacos vazios” com conteúdo para o vestibular. Fechou.
Quantas transformações precisamos fazer “aqui fora” para que um nova escola aconteça? Como demonstra Tonucci em seu artigo, a arquitetura da escola não se refere somente ao prédio onde se insere.
Junho 12, 2009 às 11:32 pm |
Oi Conceição Rosa,
Creio que você entendeu bem a mensagem de Tonucci. Olhar a a educação com olhos de criança é uma necessidade. Esse bordão, aliás, é título de uma obra de Tonucci que merece ser vista: Com Olhos de Criança. Vista, este é mesmo o termo. Na citada obra Tonucci, ou Frato, apresenta os olhars infantis por meio de charges. Imperdível. Fiz uma resenha dessa obra recentemente. Meu escrito ainda não foi publicado. Assim que o mesmo estiver disponível na internet darei notícia. Abraço grande,
Jarbas
Junho 14, 2009 às 1:39 pm |
[...] esta matéria do jornal La Nación (via Boteco Escola) e achei muito interessante. O pedagogo entrevistado sugere uma escola do futuro. Logo no início [...]
Julho 2, 2009 às 1:52 pm |
Olá professor Jarbas,
Essa discussão sobre como deve ser a escola é bem ampla. Como professora do Ensino fundamental, digo que sinto muita dificuldade em trabalhar com meus alunos de forma diferente da tradicional. Tenho 33 alunos (em uma sala que cabe menos que isso) e apesar de estarem na 4 serie têm uma dificuldade enorme em trabalhar em grupo e isso vem de longe; conversando com colegas constatei que, para eles, trabalhar em grupo “dá muito trabalho”, é mais fácil a aula expositiva, copia e reprodução. Lógico que eu não penso assim, procuro organizar projetos, realizar, trabalhos de pesquisa. E semana passada (depois de 6 meses de tentativas) tive um resultado muito bom trabalhando um dos projetos, as crianças produziram e tiraram conclusões em sala de aula que me surpreenderam.
Como sou nova, meus colegas acreditam que logo logo mudarei de concepção e perceberei que é melhor pra mim me dar menos trabalho. Ainda não concordo com eles, mas também posso entender a decepção mediante a desvalorização da nossa profissão, principalmente nas escolas públicas. Não é por repetição que digo isso, mas vivo a realidade de uma e sei que quanto mais eles (da eduburocracia, como o senhor disse em outro post…) podem fazer para não nos ajudar e dificultar nosso trabalho, é feito.
Um grande beijo
Débora
Julho 2, 2009 às 2:31 pm |
Lindo depoimento, Débora. Tenho certeza de que você não irá se acomodar. Quem educa com paixão não cai na rotina.
Em post futuro, gostaria de reproduzir este seu texto, caso você me autorize. Abraço grande, Jarbas
Julho 3, 2009 às 1:44 am |
Autorizado, professor. Realmente tenho muita paixão pelo meu trabalho!
Beijos Débora