Estou estudando um artigo recomendado por meu amigo Bernie Dodge, Beyond Control and Racionality: Dewey, Aesthetics, Motivation, and Educative Experience. O texto é um ensaio que busca situar a questão da motivação interna para além da tradição racionalista da filosofia e psicologia que dominam o pensamento ocidental desde Sócrates. Oportunamente pretendo escrever um post apresentando as principais idéias do artigo.
Mas, antes de elaborar minha apreciação do texto, a idéia da necessidade da paixão como condição para a aprendizagem me levou a escrever este post. David Wong, autor do texto, insiste na idéia de que o aprender tem uma face de sofrimento, de paixão. Não entendamos sofrimento aqui como algo negativo. Entendamo-lo na linha da história das idéias. Exemplo: “Platão sofreu grande influência de Sócrates”. O sofrer no caso denota a influência de elementos externos no processo do aprender. Esses elementos podem ser história, biografia, mestres, sociedade etc. Sofremos influência de tudo isso. Em outras palavras, o aprender se molda também a partir de influências que independem de decisões do aprendiz.
No nível individual, a paixão acaba sendo algo irracional que leva as pessoas mergulharem de corpo e alma em certas experiências. Tal mergulho é um ato de paixão. Não vou elaborar muito as idéias aqui. Para quem quiser ver um caso de paixão conduzindo aprendizagem significativa, recomendo post de uma ex-aluna minha. Leia, no blog da Lélia, É amor?.
Conclusão provisória: aprendemos verdadeiramente quando o objeto de saber vira caso de paixão. Algumas coisas que chamamos de aprendizagem são na verdade um armazenamento de informação por razões de conveniência.


