Censura continua
Abril 26, 2008Outro dia eu quis ler num computador da salas dos professores da universidade onde leciono um texto (acadêmico) que escrevi sobre blogs e educação. Nada feito. O acesso estava boqueado. Motivo: coloquei no título do meu paper uma palavra maldita, blog. O tal de sistema, aprovado por uma misteriosa diretoria, acha que blog é coisa do demônio. Assim, se alguém quer saber de blogs precisa de permissão especial. Não me conformo. Reclamo. Esperneio.
Boa parte dos bloqueios da Internet, utilizados por escolas e empresas, é apenas censura. Há um moralismo que informatas procuram disfarçar como necessidade técnica que resulta em atos ridículos de censura. Um exemplo: os sistemas de bloqueio odeiam as palavras jogo e games. Resultado: meus alunos de educação física não podem pesquisar normalmente assunto como jogos olímpicos nos computadores da universidade. Vocês não acham que isso é um limite inexplicável à liberdade de pesquisa?
Volto ao assunto porque acho que estamos perdendo sensibilidade para atos de censura. No momento estou relendo o magnífico livro The Police of Language, obra de Diane Ravitch. A autora faz uma levantamento sobre a censura exercida sobre a publicação de livros didáticos nos Estados Unidos, num movimento que une fundamentalistas religiosos e esquerda radicalóide. Resultado: os livros didáticos são cada vez mais textos sem qualquer cor ou sabor.
Não podemos aceitar qualquer tipo de censura. Liberdade é fundamental para a vida e dignidade humanas.