Gente e Tecnologia
Aqui está mais uma preciosidade encontrável no Youtube. Trata-se de documentário sobre Donald Norman, cientista da área das ciências do conhecimento. Depois de uma brilhante carreira na Universidade da Califórnia em San Diego, Don resolveu escrever obras acessíveis sobre a relação das novas tecnologias com gente. O livro que o projetou como um cientista capaz de conversar com pessoas comuns sobre o que anda rolando no campo do desenvolvimento tecnológico é The Psychology of Everyday Things.
Em seu livro, Norman mostra que a falta de cuidado com gente nos desenhos de qualquer artefacto - torneira, maçaneta, geladeira ou computador - cria tremendas dificuldades de uso. Quem já viajou para outros países deve ter passado por situação como a de não saber como mudar o fluxo d água de uma torneira da banheira para o chuveiro. Todas as tentativas fracassam em tais casos. E ficamos com a sensação de que nos falta inteligência. Na verdade, o que falta em tais casos é um desenho cujo formato converse com o usuário, tornando evidente como usar o aparelho ou o objeto.
Tudo isso acontece porque os designers ao projetar uma máquina, uma ferramenta, um objeto qualquer deixam de considerar como os seres humanos funcionam. Os amantes da tecnologia acham que a lógica das coisas precisa ser aprendida. Norman argumenta que isso é bobagem. O que é preciso é planejar as coisas de acordo com a lógica das pessoas, com os modos pelos quais gente vê o mundo.
As implicações das idéias de Norman para o planejamento de produção, incluindo o da produção de materiais para educação, são muitas. Elas mudam completamente modos de ver produtos de tecnologia. Infelizmente ainda não chegamos lá. Continuamos a pensar que a lógica das coisas deve dominar o desenho de tudo o que produzimos. E com isso perdemos a oportunidade de humanizar o uso de toda e qualquer tecnologia.
Ali em páginas coloquei a tradução de alguns trechos do livro famoso de Donald Norman. Os trechos traduzidos tinham por finalidade alimentar um papo com meus companheiros do PIE - Programa de Informática e Educação do Senac de São Paulo. Gentes interessadas em conhecer um pouco das idéias do Norman podem dar um pulo lá no número 011 de páginas .
Março 20, 2008 em 11:03 pm
Incrível encontrar esta tua postagem justamente quando eu estava pensando sobre esta ‘burrice’ de alguns objetos.
Eu ganhei de Natal uma cafeteira. Lindona, quase ‘espacial’. Com o uso começaram a aparecer os problemas. Ela tem uma ‘frente’, na qual bem ao centro em cima fica a alça que abre a tampa para trás e, bem ao centro embaixo, o botão de ligar.
Acontece que do lado direito, invisível para quem olha de frente fica uma canaleta que dá visibilidade ao nível da água. É a única forma de ver o nível da água. (para enxergar é preciso olhar da lateral)
Como eu sou destra, coloco a agua segurando a jarra na mão direita, pelo lado direito da cafeteira e, deste modo, não consigo olhar o nível ao mesmo tempo em que vou enchendo.
O jeito é usar a mão esquerda e girar a cafeteira 90 à esquerda.
…
pode?
Considerando que a empresa que desenvolveu o produto já o faz há uns bons anos, era de se esperar alguma competência na coisa
abraço!
Março 21, 2008 em 6:03 am
Respondendo comentário deixado no meu blog…
Olá professor Jarbas:
Confesso que surpreendi-me quando recebi o ‘recado’. Pensei quase que instantaneamente quando vi quem assinava: _eu já vi esse nome.
Corri e peguei o teu livro de cima da escrivaninha. Sim, era o autor do livro.
Que honra receber um depoimento desses…
Sobre o livro, na verdade, gostei muito, não foi sacrifício nenhum lê-lo.
…..
Pode deixar, assim que acabar meu TCC envio uma cópia para que dê uma olhada, mas desde já não prometo grande coisa não, é algo singelo, paroquialista, voltado para a realidade da universidade local…sem muitas pretenções.
Obrigada pelo contato.
grande beijo
Eliziane
Março 21, 2008 em 6:09 am
digo…sem muitas pretensões. Tenho uma boa desculpa para o erro crasso: a hora: 3:07 manhã.
Ótima páscoa.
Lizi
Março 31, 2008 em 3:06 am
Alô Su,
Não sei se conheces bem Norman e sua obra. De qualquer forma, é bom notar que ele, assim como você, é engenheiro. Tempos atrás, para escândalo de muitos pedagogos, eu afirmei que alguns dos melhores educadores que conheço são engenheiros. Além de você, fazem parte da lista o Fróes e o Bernie Dodge. Há outros, mas devido a adiantado da hora, vou deixar as menções para uma outra ocasião.
Muito bom o seu reparo sobre a cafeteira. Quando a gente entra em contato com as idéias do Norman começa a reparar que inúmeros objetos de nosso dia a dia são feitos de acordo com a lógica das coisas. E essa descoberta pode abrir nossos olhos para cobrarmos desenhos mais humanos para todas essas coisas que chamamos de tecnologias.
Abraço grande,
Jarbas