Microliteratura para destravar a escrita blogueira
Uma das dimensões do blogar é a escrita. Não qualquer escrita. Mas uma escrita livre, leve, solta, comunicativa. Volta e meia tento mostrar, para blogueiros e candidatos ao ofício, que no espaço de um blog não cabe um texto sisudo, acadêmico, mal humorado, supostamente sério. Como o espaço é sobretudo de conversa, é preciso oferecer aos leitores textos que sugiram papos interessantes. Tudo isso é relativamente difícil, sobretudo em meios universitários onde os alunos foram orientados e treinados a escrever de modo “científico”. O resultado é um texto travado, chato, às vezes pernóstico. Assim, uma das coisas que blogueiros e candidatos ao ofício precisam fazer é praticar atos de destravamento. Para tanto, um dos caminhos é a microliteratura.
Em meu encontro com o povo da PUC, mostrei alguns exemplos de microcontos. Na sequência, tinha intenção de pedir aos meus interlocutores que cometessem alguns microcontos. Por questão de tempo, acabei não desafiando os alunos da Católica a cometer atos de microliteratura. Mas ainda é tempo. Se eles passarem por aqui, podem registrar, na forma de comentários, alguns microcontos.
Para que se possa trabalhar com um padrão aceitável, sugiro microcontos com até cento e cinquenta caracteres (pontuação e espaços inclusos). Para ver exemplos, sugiro visitas aos seguintes espaços de microliteratura:
Enquanto ninguém aparece, desafio meus alunos do 4° de pedagogia a cometer microcontos já. É claro que o mesmo vale para frequeses habituais ou eventuais deste Boteco. Praticar microconto é uma forma muito boa de dar asas à imaginação e aprender a blogar com mais leveza.
Agosto 31, 2007 em 12:40 am
Jarbas,
Escrever assim é o meu sonho, quem sabe quando eu acordar!
Agosto 31, 2007 em 12:43 am
não sei bem se isso é um mocroconto.
” Em matéria de religião, a única certeza que tenho, é que ninguém nunca irá ter certeza de nada”
“Ela tinha muito a dizer, mesmo quando não dizia nada”
Agosto 31, 2007 em 12:45 am
Jarbas,
Procuro lembrar de tudo que tenho a fazer. Desculpe, esqueci o que eu ia dizer!!
Agosto 31, 2007 em 12:46 am
Começa aqui uma fascinante viagem pelo tempo. O cinema nasceu silencioso, mas sempre se preocupa em buscar a emoção indefinida. É algo que vai além da tela, além da nossa imaginação.
Beijos
Keilla
Agosto 31, 2007 em 12:47 am
O sentimento e a compreensão nos conduzem a ilusão, essa por sua vez nos faz projetar novos horizontes impulsionando-nos a viver intensamente cada momento.
Beijos
Keilla
Agosto 31, 2007 em 12:52 am
Olá, professor Jarbas…
Concordo plenamente com o senhor…
Os blogs nos “chamam” por meio da escrita, que deve ser, antes de mais nada, interessante, atraente, criativa e comunicativa.
Acima de tudo, os blogs devem nos convidar para um bate papo interessante com trocas de idéias, experiências e opiniões.
Mas tenho que confessar que é difícil utilizar uma linguagem simples, já que todos os nossos trabalhos, exigiram linguagens cultas e científicas.
Considero importante a utilização de microcontos para aprender a blogar com textos mais curtos, criativos e chamativos.
Abraços… Até mais,
Luana.
Agosto 31, 2007 em 1:00 am
Oi prof.
Estou dormindo e não durmo, a certeza de estar acordada amanhã é a incerteza de dormir hoje.
Abraços
Noemi
Agosto 31, 2007 em 1:02 am
Falar demais e não dizer nada são mensagens significantes para quem nada entende.
Noemi
Agosto 31, 2007 em 1:09 am
Roupa de grife, não importa para quem não as pode pagar, assim como um pedaço de pão não importa para quem pode pagar.
Noemi
Agosto 31, 2007 em 1:10 am
O que determina a pessoa não são suas capacidades, mas sim suas escolhas.
Luciane
Agosto 31, 2007 em 3:10 pm
Voei, delirei, e chorei. Aprendi o que é a morte.
Agosto 31, 2007 em 8:48 pm
Não é possível se colocar no lugar do outro,
se não consigo nem enxergá-lo?
Agosto 31, 2007 em 8:49 pm
Oi Jarbas, como vai?
Você tem razão, acho que escrever em blogues não é uma tarefa fácil e a escrita deve ser chamativa, senão não há blogue e sim somente um texto lido.
Hoje é Dia do Blogue ou Blog Day como andam divulgando na blogosfera, o intuito é conhecer e indicar blogues novos para que haja uma grande interação na blogosfera. Vou visitar os blogues que você indicou e depois digo o que achei.
Feliz Dia!
Abraço,
Setembro 2, 2007 em 11:39 pm
Uma coisa importante é não confundir qualquer texto curtinho com um microconto. Microconto tem que contar, ou sugerir, alguma coisa. Trata-se de minificção e não de ditados ou pensamentos.
A maioria das pessoas confunde o microconto com o aforismo. com frases conceituadoras ou mesmo com anedotas (há certa zona de sobreposição, natiralmente, entre estas áreas).
Para as pessoas começarem a escrever microcontos ainda não o tendo feito antes, sugiro que se comece seguindo alguns passos iniciais, para depois inventar seus próprios caminhos.
Que tal escrever sempre duas frases (uma só leva ao aforismo ou fica grande demais), uma criando uma situação, um cenário, gerando uma imagem bem visual na cabeça do leitor, e a segunda frase concluindo a história, de modo a gerar algum impacto no leitor, impacto esse na forma de levá-lo a pensar mais e criar continuidades em sua cabeça - levando o leitor à fruição da vivência dessa microleitura.
Podem parecer obviedade, e são-no com certeza, mas o efeito de colocar um ovo em pé já teve grandes impactos na história da humanidade e certamente é o mais ululante dos óbvios, hehehe!
Micro-abraços,
Carlos
Setembro 3, 2007 em 4:57 pm
O impossível é o possível que não foi totalmente tentado.
Setembro 6, 2007 em 10:29 pm
Se tens a coragem, o que espera?
Quer saber a verdade? Olhe nos olhos, eles dirão
Setembro 7, 2007 em 2:33 pm
“Uma menina de uns quatro anos cruzava as perninhas de garça com um gibi na mão no banco do bonde. Todos se admiravam. Em casa, “mamãe, lê pra mim.”
Jarbas,
Não sou prolixa, apenas permito que os outros escrevam por mim.
Gosto de ler enredos fartos de palavras. Identifico-me com alguns escritores, porém sou eclética e aprecio vários estilos e gêneros.
Acho difícil formar um leitor depois de adulto, mas é a intenção do meu blog. Pode não ter boa prosa, posso até tentar, não se propõe à discussões, mas à reflexôes e à busca do imaginário, tão criticado diante de tantas propostas racionalistas.
Ah, aquela menininha sou eu!
Seu silêncio não me faz feliz!
Fátima.
Setembro 9, 2007 em 11:21 pm
Oi Professor!
Apesar de observar a escrita de outros blogs, entender racionalmente a escrita dos microcontos ainda tenho muita dificuldade em tornar minhas idéias reais.
Abraço
Março 14, 2008 em 4:31 pm
Prô… Prometo pensar num microconto melhor, mas não pude deixar de tirar um “sarro” e registrar este aqui:
“Mamãe querida,
Meu coração por ti bate,
como caroço de abacate”
Até mais tarde,
Juju
Março 30, 2008 em 7:58 pm
Olá,
O único que me vem na memoria agora é o que desenvolvi na propria aula neste sábado.
“Ela fazia academia, seu marido não, ela era sarada, seu marido não, ela transava, seu marido não.”
Até Professor!.