Archive for março \31\UTC 2007

Proibido blogar

março 31, 2007

Há coisas que não mudam ou levam um tempo muito grande para mudar. Uma delas é a interdição a blogs em escolas e ambientes empresariais. Já faz mais de três anos que registrei esse fenômeno. E acho que vale a pena repetir aquela observação antiga, uma vez que os problemas lá apontados continuam no ar.Copio aqui uma velha nota do meu antigo blog chamado Nova Educação. A tal nota dizia:
Sábado, Janeiro 31, 2004
Hoje (será que ainda é 30?) palestrei no Sion. Ao testar os computadores do colégio, verifiquei que os blogs estão censurados. Por que será? Provavelmente a ferramenta de bloqueio da Internet não admite endereços com os termos Blogger e blog. Motivo? Blogs geralmente são textos do tipo diário pessoal. Para os censores isto é distração, lazer, motivo de dispersão no trabalho. Uma pena! Vai daí que usar blogs em educação é uma opção que contraria a seriedade do establisment. Num certo sentido isso é bom: frutos proibidos são mais saborosos.
Um ano depois, num outro blog, o Aprendente, completei a observação de 2004:
Esse tema mereceu recentemente (ver comentários ao post The Longest Day, de March 1, 2005) observações parecidas no blog do Bernie. Bloqueadores utilizados por empresas têm blogs como um de seus alvos. Acho isso uma bobagem. Se “não perder tempo” com blogs, o empregado vai achar outra forma de arejar o espírito e evitar a chateação de um trabalho contínuo.

Bar do Zé

março 21, 2007

 

Um dos botecos mais famosos de São Paulo é o bar do Zé. O estabelecimento deve ter um nome comercial, mas ninguém sabe. A casa, situada na rua Maria Antônia, foi um ponto de encontro dos estudantes da Filosofia da USP nos velhos tempos. Até hoje, o bar do Zé é um endereço obrigatório para muitos boêmios famosos e anônimos da cidade de São Paulo. Já vi lá políticos, artistas, e intelectuais. Mas o melhor encontro que tive no bar do Zé foi uma noitada com João Pacífico, compositor, entre outros, do clássico Cabocla Teresa. O velho era muito bom de copo e de estórias. Inesquecível.

Botecos e similares

março 20, 2007

Ao dar a este blog o nome de Boteco Escola, pensei que estava sendo mais ou menos original. Mas minha descoberta sobre a essência dos blogs é um dado de senso comum. Muitos e muitos blogueiros, sem ler estudos acadêmicos sobre a matéria, já haviam utilizado a metáfora do boteco como elemento iluminador para uma boa compreensão do que é um blog. Essa minha constatação surgiu ontem (19/02) após levantamentos realizados via Technorati – o poderoso motor de buscas na blogosfera. Constatei que há pelo menos dezessete blogs chamados Butecos ou com o complemento nominal buteco. Descobri também que há pelo menos trinta e dois blogs chamados Botecos ou com o complemento nominal boteco. Além disso, há pelo menos duas dezenas de blogs chamados Tascas.

Em postagens futuras, vou apresentar alguns dos butecos, botecos e tascas da blogosfera. Para quem quiser começar visitas a tais estabelecimentos, sugiro uma casa recentemente inaugurada, o Boteco do Ed.

Um bar no porto

março 12, 2007

Inauguro com este post uma nova categoria: galeria de bons botecos. Este é um boteco de porto, certamente um dos espaços mais livre de comunicação. Frequentadores aqui do Boteco Escola estão desde já convidados a mandar informações a respeito de bares, tascas, padarias e botecos que merecem fazer parte da galeria ora inaugurada. Eu gostaria de receber, se possível, fotos produzidas pelos próprios remetentes.

Blog, Café, Boteco

março 10, 2007

Há autores que definem os blogs como espaços públicos de conversação. E tais autores geralmente utilizam uma matriz teórica baseada no filósofo Jurgen Habermas. É bom explicar isso melhor.

Os blogs podem permitir novas formas de exercício democrático, pois são um espaço no qual as pessoas quase sempre conversam com liberdade em busca de consenso. Elmine Wijnia é uma dos autores que aborda os diários eletrônicos com tal visão. Em sua tese, Understanding Weblogs: a communicative perspective, Wijnia diz:

Blogs podem ser um modo de estabelecer consenso, de acordo com Ito (2004). Um filósofo muito importante de nossa era, Jurgen Habermas, descreve explicitamente como as pessoas podem construir tal consenso. Muitos pesquisadores conectaram a teoria de Habermas com aquilo que chamam de blogosfera, a rede de blogueiros (Thompson, 2003; Mortesen & Walker, 2002). Esses pesquisadores se perguntam se a blogosfera pode guardar alguma correspondência com aquilo que Habermas chama de esfera pública. A esfera pública, de acordo com o filósofo, é um domínio de vida social no qual a opinião pública pode ser formada.. Esse domínio é acessível para todas as pessoas. Parte da esfera pública é constituída por conversações que acontecem sempre que as pessoas se encontram e formam um público. (Thompson, 2003). Habermas compara essas conversações como os salões e cafés do século XIX. [...] e distingue três aspectos com base nos salões e cafés que constituíam uma esfera pública: “não igualdade, mas total desconsideração por status; problematização de áreas que até então não eram questionadas; e visão do público como inlusivo, não excusivo”. (Mortesen & Walker, 2002)

Do mesmo modo que os cafés, os blogs se situam entre o público e o privado. São escritos por pessoas que expressam atitudes e opiniões. São, portanto, subjetivos. Ao mesmo tempo, são parte do domínio público, pois aparecem na internet abordando assuntos para uma parcela da população [um público]. Para sermos capazes de criar uma esfera pública por meio de blogs, é importante, de acordo com Habermas, que as pessoas queiram ouvir opiniões divergentes, especialmente quando tentamos alcançar concordância.

É interessante notar que, sabendo ou não da teoria de Habermas, muitos blogueiros deram a seu espaços o nome de cafés. No Brasil, por exemplo, há um blog bastante famoso que se chama Café Alexandrino. E um dos blogs dedicados a nossa área é o Café Educacional. Ao escolher tal nome, os autores tiveram certamente a intenção de mostrar que o espaço que criaram é um local para grandes papos, sem censura, acompanhados por coisas que tornam a convivência agradável. Além disso, querem mostrar que “o café é do povo”. Ou seja, é um local onde todos os participantes podem expressar livremente suas opiniões. Esse modo de ver os blogs é, sem dúvida, algo parecido com o sonho de Habermas.

Os blogs, portanto, não são simples páginas para registro de textos. São, muito mais, um local para grandes papos, sem barreiras de hierarquia social, sem compromissos com o relógio, com total liberdade de dizer “a sua palavra”, com aquele prazer de estar conversando com os amigos. Como observa Habermas. tais papos aconteciam nos famosos cafés parisienses do século XIX. Aqui para os nossos lados, aconteciam e talvez ainda aconteçam nos cafés uruguaios e argentinos. Conheci uma dessas casas de encontro de amigos para grandes papos, o Café Sorocabano de Montevidéu. Mas não há tal tradição no Brasil. Por isso, acho que devemos fazer uma adaptação. O grande espaço público brasileiro para conversas com muita liberdade e prazer chama-se boteco, uma invenção nacional com algumas tintas das tascas portuguesas. Por isso mudei o nome deste nosso blog. No começo, este espaço se chamava Experimentos Blogueiros (um nome acadêmico e meio pedante). Hoje, 10/03/2007, caiu a ficha. Aprendi que a palavra boteco expressa muito melhor o que se pretende aqui. Por isso, a partir desta data, nosso espaço de conversa passa a ser chamado de Boteco Escola. Espero que tal nome inspire as conversas e oriente rumos dos blogs que serão criados por meus alunos do 4°apgn na USJT.

Volto a citar o ótimo trabalho Understanding weblogs; a communicative perspective:

O weblog ou blog é uma página na qual o autor publica coisas com a intenção de começar uma conversa.

Para terminar este palpite orientativo sobre sentido geral dos blogs, falta apontar para duas teses que desenvolvem com profundidade as relações entre as idéias de Habermas e a possibilidade abrir espaços públicos de conversação na internet. Vamos lá. Uma jornalista portuguesa elaborou bela pesquisa sobre o tema. Quem quiser dar uma olhada deve ir até Blogs e a fragmentação do espaço público. A outra tese, trabalho de uma pesquisadora holandesa já citado aqui, é Understanding Weblogs: a communicative perspective.


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